A morte do jovem Idelfonso de Souza Ferraz

 

 Idelfonso de Souza Ferraz

Voltando do Ceará, Lampião voltou abeirando Vila Bela, de um giro pela Ribeira do Cipó, foi até as proximidades de Betânia e retornou as imediações de Vila Bela estacionando na fazenda abóboras.

No dia 14 de novembro do ano de 1925,  ele estava com 15 cangaceiros no Pé da Serra do Xique-Xique, que é um trecho da Serra do Saco, há pouco mais de uma légua de Vila Bela. Um coiteiro chamado Isaías Vieira tinha trazido a comida e agora o bando estava descansando despreocupado dentro do Curral, no fundo da casa, e esse curral tinha uma peculiaridade, o dono da fazenda para economizar Madeira tinha aproveitado o paredão formado pelo serrote canela de fora, de modo que só precisara construir três lados da cerca.

Foi quando chegou a fazenda a volante do anspeçada João Gomes de Sá Ferraz, formada por 21 rapazes de Nazaré, os chamados nazarenos, dentre os quais João Jurubeba, Hercílio Nogueira, Lero de Chico, Davi Gomes Jurubeba, e os irmãos Euclides Flor, Manoel Flor e Idelfonso Flor.

Quando os Nazarenos perguntaram aos moradores se tinham visto cangaceiros por ali, notaram que estranhamente as respostas eram dadas em voz bem alta: “nós não vimos cangaceiro não,” “aqui não passou nenhum cangaceiro”. O rastejador Batoque Antônio Joaquim dos Santos, ex cabra de Zé Saturnino, desconfiou que aquilo era para que os bandidos escutassem, foi dar uma espiada no curral a tempo de ver os cangaceiros fugindo, pois tinham ouvido as vozes de seus protetores alertando-os do perigo, Batoque gritou: “os cabras estão fugindo, no currá, no currá, pega, pega!” 

Os cangaceiros não podendo subir a serra, fugiram arrebentando a cerca do Curral, e ali se travou um tiroteio. Um dos cabras do bando, que ia fugindo, morreu ali mesmo, Jurema morreu depois, muitos saíram feridos, o corpo de um terceiro, morcego, foi encontrado muitos dias depois já comido pelos urubus, nos Pastos da fazenda xique-xique, da volante, morreu Idelfonso de Souza Ferraz, o Ildefonso Flor, um garoto de apenas 16 anos de idade, um tiro na testa.

Durante o tiroteio o coiteiro sumiu, foi procurar Lampião dizendo que estava com medo da polícia, e tornou-se o cangaceiro Zabelê, o mesmo apelido de outro cangaceiro que havia sido preso depois do combate de serrote Preto.

Fonte: Lampião a Raposa das Caatingas. 

Autor: José Bezerra Lima Irmão.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O Aparecimento de Lampião na Bahia

A Saga e a Morte de Cirilo de Ingrácia.

O fim do bando de Jurema